terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Pela ética socialista na Assembleia Municipal

Na sequência das eleições autárquicas de 11 de Outubro de 2009, que para o executivo municipal do Porto foram ganhas por maioria absoluta pela coligação PSD/PP, o Partido Socialista fez eleger os seguintes 14 deputados municipais e 6 presidentes de Junta de Freguesia:
Teresa Lago, Pedro Abrunhosa, Gustavo Pimenta, Isabel Cardoso Ayres, Rodrigo Oliveira, Jorge Martins, Palmira Macedo, Abílio Santos, Piedade Valada, Nicolau Pais, Joel Azevedo, Ana Pereira, Fernando Moreira, José Ribeiro e Vítor Arcos (Presidente da J.F. de Aldoar), Fernando Amaral (Presidente da J.F. de Campanhã), Cecília Sampaio (Presidente da J.F. de Miragaia), Jerónimo Ponciano (Presidente da J.F. de S. Nicolau), José Teixeira (Presidente da J.F. da Sé) e Fernando Oliveira (Presidente da J.F. da Vitória).
Estes vão ser, na "Casa da Democracia" portuense, os primeiros responsáveis pela defesa do programa da candidatura "Porto para Todos" que foi protagonizada pela Elisa Ferreira. Nesse programa, amplamente participado e discutido por uma boa parte da população, foram assumidos compromissos políticos que ninguém pode esquecer ou menorizar: lutar pela revitalização económica do Porto, através do reforço de medidas que criem coesão social e dinamizem a cidade nos domínios da habitação, da cultura, da educação, da ciência, da criatividade e do património. Nenhuma benesse ou interesse particular, nunhuma migalha de poder prometida pelo vencedor, pode justificar o não cumprimento daqueles compromissos. Por isso, não se pode entender nem aceitar que, já por mais de uma vez em votações secretas (voto em urna), haja quem, de entre os eleitos pelo PS ou seus substitutos, não honre aqueles compromissos e vote com a direita (com a coligação PSD/PP) sem ter a coragem de dar a cara e proceder à respectiva declaração de voto. Cabe aos eleitores avaliar esses comportamentos e julgá-los nas próximas eleições.


segunda-feira, 7 de dezembro de 2009


O ESTADO DA MEDIATIZAÇÃO ( “ AI, AI, AI, QUE NÃO PODE SER”)

Da memória, de quando falava e quando escrevia, manuscritos curtos, que alguns pretendiam inscrever na tipologia das crónicas…

Agora, embora escrevendo, é da mediatização, ao que venho quando chove, na cidade, e, ando de papel na mão por perto da Casa da Música, o que era espectável, porque, depois de muitos debates monotemáticos de fundo azul no ecrã, ou utilizando, velozmente, como uma ascensão do Homem–Aranha, a banda larga, esta é a situação possível.
Basicamente, no quadro da crise internacional, com o desnorte que provocou e provoca, tudo é uma questão de atitude, perante uma multiplicidade de eventos, num todo de marketing sustentado, que leva a ter confiança e a uma entrega de braços abertos, como de criança, procura de abrigo no micro e macro mundo mediáticos.

Apesar de tudo, e, ainda, um gato siamês atravessa o texto na diagonal…


José Carlos Martins
08/09/2009

Quem tem medo de Elisa Ferreira?


No rescaldo das eleições autárquicas no distrito do Porto, alguns factos de actuação política deveriam merecer uma especial reflexão dos militantes socialistas:

1. Processos disciplinares visando a expulsão de vários camaradas que, como independentes, se candidataram aos órgãos autárquicos em Matosinhos, Valongo, Stº Ildefonso (freguesia do Porto), etc.
Espera-se que a justificação estatutária destes processos não deixe margem para dúvidas, nomeadamente no direito à defesa dos "arguidos" e nas explicações, nunca antes conhecidas, sobre as deliberações (datas, procedimentos legais, votações) que conduziram à formação das listas oficiais. Espera-se também que sejam esclarecidas as razões que impediram a apresentação de listas únicas do PS. Caso contrário, tudo será visto como um processo de depuração ideológica e política, impensável num partido que fez da democracia interna a sua grande diferença em relação à restante esquerda. Será bom não esquecer que, perante a candidatura independente de Manuel Alegre à presidência da República, também houve claras tentativas de altos responsáveis partidários no sentido da sua expulsão por delito de opinião e desrespeito estatutário. Todo o articulado estatutário deve ser respeitado, e não apenas aquele artigo que "agora dá jeito" para punir os “infractores”. Quem votou nas listas dos “infractores” socialistas? Obviamente, muitos militantes socialistas! E estes, que votaram, também vão ser alvo de alguma medida estatutária? Que pena…! Não se pode!

2. Aliança de governação local, na Câmara de Matosinhos, entre o PS e o PSD. Ou seja, a lista do PS oficial alia-se com a direita (que nunca, neste município, chegou ao poder) contra a lista “independente” votada maioritariamente por militantes socialistas! Em nome de que tipo de governabilidade se pode admitir que a direita seja puxada para o exercício do poder e a outra lista de esquerda, formada e votada por socialistas, seja remetida para a oposição? Que exemplo é este?

3. Primeira reunião da Assembleia Municipal do Porto, para eleição da mesa: 27 deputados municipais da coligação PSD/CDS e 27 deputados municipais eleitos pelo PS (20), CDU (4) e BE (3). O PS propõe à CDU e ao BE uma lista alternativa à apresentada pela coligação de direita. Estes dois partidos aceitam que os seus 7 votos sejam para a lista alternativa. Votação individual secreta para o presidente: 28 favoráveis à lista do PSD/CDS e 26 favoráveis à lista alternativa.
Quem se passou para o lado de lá? Quem se quis prejudicar, com essa atitude? Por que razão não houve uma declaração de voto que justificasse tal comportamento?
A candidatura de Elisa Ferreira, pela qual se bateram muitos socialistas e independentes, parece ainda incomodar os vários aparelhos partidários portuenses, instalados na mediocridade do seu umbigo.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Ensino Secundário: um mundo de contradições


"Uma coisa é viver, outra é estudar." A frase, proferida por uma aluna do Ensino Secundário, espelha um sentimento emergente nas escolas

Há uma nova cultura escolar cujas manifestações vão acontecendo no quotidiano educativo. Mais ou menos perceptíveis. Uma equipa de investigadores da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto realizou um estudo entre 2002 e 2006 onde identificou alguns traços deste fenómeno. As conclusões deste trabalho aguardam publicação em livro.Trabalharam em várias escolas do Porto, e numa a 40 quilómetros desta cidade. Procuraram que as escolas estivessem em zonas ora mais ora menos "preservadas" do ponto de vista socioeconómico. E, entre os cerca de 400 alunos inquiridos, uma das percepções recolhidas foi a do "drama" que representa a passagem do 9.º ano para o Ensino Secundário. "É uma catástrofe porque há uma viragem súbita dos objectivos, das metodologias e da própria forma de estar", sintetiza Manuel Matos, investigador e coordenador deste estudo.
(Ver o texto completo aqui)
Educare.pt, Andreia Lobo 2009-10-14

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

E agora Elisa: o Porto pode continuar a contar contigo? (I)

O que é que falhou na candidatura do "Porto Para Todos"?
1. A direita soube coligar-se para defender o essencial (a continuidade do trabalho conjunto de dois mandatos) e a esquerda não. Mau grado algumas expectativas positivas criadas muito antes da campanha autárquica, em torno da defesa do Bolhão, a esquerda nem sequer conseguiu iniciar o debate sobre os projectos de cidade que cada partido defende. Falhou a capacidade dos líderes locais se entenderem sobre um programa mínimo comum.
2. Enquanto a coligação de direita teve 47, 5% para a Câmara e 44,2% para a Assembleia Municipal, a soma PS+BE+CDU teve 49,4% e 52,3%. Estes números, apesar de eloquentes sobre a vontade de mudar o governo da cidade, de nada valem perante o sectarismo partidário que as três direcções locais foram dando prova: o raciocínio, durante a campanha, continuou a ser a defesa dos estritos interesses partidários (aparelhísticos e pessoais) e a procura de crescimento eleitoral à custa de argumentos de baixa política. Rui Rio ainda não assusta suficientemente os portuenses para gerar um movimento unitário de oposição;
3. Para a Câmara, o PS teve 34,7%, a CDU 9,8% e o BE 4,9%. Para a Assembleia Municipal a distribuição do eleitorado de esquerda foi muito diferente: 33,8%, 11,0% e 7,5% respectivamente. O que quer dizer que, lucidamente, alguns eleitores da CDU e do BE votaram PS para a Câmara (mantendo-se fieis ao seu partido na eleição de deputados municipais) na expectativa de uma vitória ou, pelo menos, de impedir a maioria absoluta do PPD/CDS. O esforço desses cidadãos não foi, porém, suficiente.
4. Poucos dias antes, nas legislativas de 27 de Setembro, dentro da cidade, o PS tinha tido 36,1%. Quer isto dizer que o PS perdeu os votos de eleitores que, provavelmente abstendo-se, não gostaram de ver e ouvir os responsáveis concelhios em guerra aberta com a candidata Elisa Ferreira. Ao nível dos responsáveis locais (concelhia e juntas de freguesia), houve PS de menos e vinganças pessoais de mais.
5. A campanha da candidatura de Elisa também não está isenta de erros e omissões, nomeadamente nos domínios da condução política, da estratégia perante a comunicação social e das acções de agitação e propaganda. Mas, sendo importante para a resposta à questão colocada no título, este é um domínio a que voltaremos brevemente com um outro post.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

UM OUTONO ASSIM (VII)

O Outono não permite risos no jardim. Também não há jardim. Ficaram-me, tortos no entendimento, “os caminhos que se bifurcam e um labirinto e aquela mulher que se me deu e, ainda como no princípio do século vinte, absinto. O Outono é a minha redenção, olhando os meus pés nus de Portinari pendurado, procurando entre todos os bolsos um elemento literário. Um deles, dos bolsos, com um possível forro em cetim, furado. Enganado. O elemento literário soluçante e esganado. E, depois as nuvens, o açúcar, a pertinaz recordação da meninice, surripiado. Uma esfera, uma bola, uma espera. A mancha do sangue seco na camisa de uma guerra que chorei e lembro-me de ti. E sei que sou eu, quando, especado no sofá velho, velho compêndio de física nas mãos, digo tu. E aí quero contar-te de chacinas de sentimentos, das coninbricences lições, e de, como intuitivo, sei como a matéria se estrutura, o tempo dura, a morte irrompe calma e branca como frio quente das libertações.

José Carlos Martins
10 de Outubro 2005