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segunda-feira, 14 de setembro de 2009

"Engraxa doutor? Não! Engraxo na Baixa!"


Dão graxa...! Puxam o lustro...! Fazem chiar o pano...!
Se não chover ("Dá-me cabo do negócio") podem estar na Praça, junto às pizzas ou, do outro lado, a mandarem umas bocas ao ardina. Também páram em Campanhã (deixei de vêr lá o Rebelo...será que.....?) para cumprirem a sua missão no "calçado como deve ser" (sapatos - sapatos e não calcantes de ténis) que viaja nos pendulares. Alguns resistem nas barbearias, a meias com a manicure, mas nos cafés já não os vejo. O Piolho teve vários!
Distinguem-se pelo modo como fazem "chiar o pano". Pouco importa se são velhos ou novos, homens ou mulheres (que, na "modernização do desemprego", também chegaram à profissão...), faladores ou taciturnos, fumadores ou cancerosos. O que importa é aquele arrastar do pano contra a pele, aquele trinado exultante da graxa que se espalha e agarrra, desesperada, na pele da pele. O que importa é que, nessa batalha de superfície, o pano ganha, a graxa grita e o sapato rebrilha.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Castanhas e conversas "p'raquecer"

Mãos calejadas e hábeis embrulham-nas nas folhas de revista que as conservam quentes e boas. São esbranquiçadas, com tons de azul e prata, por cima do castanho-escuro que lhes deu o nome. É como se estivessem maquilhadas e perfumadas por um fino "pó de-arroz" que as torna desejáveis...! Estão nas esquinas mais movimentadas, nas saídas do metro, à porta do Sto. António ou no Marquês. Anunciam-se sem alarde: ainda não as vemos e já lhes sentimos o cheiro inconfundível!
Nos carrinhos ou nas bancas, os que as "fabricam" já foram operários de outras fábricas, oficiais de outros ofícios. Hoje, guardadores de memórias que alimentam a conversa sem pressas, são também artistas de uma arte de que a ASAE não gosta...!